ADVOGADO SIM. CÃO RAIVOSO, NÃO!

Quando procuramos um advogado, tudo o que precisamos é de alguém que nos escute e que nos defenda, não é mesmo?

O problema surge quando há uma confusão entre os papéis.

O cliente não pode querer que o advogado compre suas brigas.

Isso porque a função do advogado é proporcionar a melhor defesa técnica possível, de acordo com os interesses do cliente.

Claro que a escuta e a empatia devem fazer parte da relação, assim como é o cliente quem deve ter a palavra final sobre todas as decisões no curso do processo.

No entanto, quando a escuta e a empatia se sobrepõem à defesa técnica, de acordo com a legislação, doutrina e jurisprudência, isso pode causar mais prejuízos do que benefícios.

Cabe ao advogado identificar até onde os desejos do cliente são possíveis, dentro de uma normalidade.

Não espere que o advogado apoie tudo o que o cliente diz. Às vezes, é necessário dizer: “O que você está querendo é muito difícil” ou mesmo “Você está errado, mas vamos ver o que conseguimos fazer”, e isso não deve significar uma quebra da confiança entre advogado e cliente.

Ao advogado cabe manter um distanciamento em relação ao conflito, uma relação cordial com a outra parte e uma disposição para escutar.

É esse distanciamento que garante a melhor orientação e, ao fim e ao cabo, a melhor defesa que o cliente pode ter.

Por isso, não espere um cão raivoso capaz de tudo para fazer suas vontades prevalecer; espere apenas um advogado.


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